Se você tem opiniões políticas fortes sobre a corrida presidencial de 2016, em breve poderá descobrir que sua contagem de amigos está caindo. A eleição está finalmente se aproximando. As tensões estão altas. Os xingamentos são desenfreados. Anúncios negativos estão por toda parte. A nação está profundamente polarizada entre os apoiantes de Hillary Clinton, os obstinados de Donald Trump e todos os demais.
Vários meios de comunicação alertam sobre um fenômeno específico da mídia social: a falta de amizade relacionada às eleições. Não é sutil. Não é tranquilo.
Veja o caso de Brent Blackaby. Ele é consultor de negócios. Ele também é um democrata. O Politico informou que rompeu relações com seu tio republicano. A discussão envolveu vários parentes. Transbordou de bate-papos privados para feeds públicos.
Blackaby deixou clara sua posição para sua rede.
“OK, se algum dos meus amigos do Facebook ainda vota em Donald Trump, faça-me um favor e cancele minha amizade agora.”
Esse tipo de conflito digital não é novo. Você deve se lembrar das eleições de 2012. Um estudo do Pew Research Center daquela época descobriu que nove por cento dos usuários de mídia social bloquearam, cancelaram a amizade ou deixaram de seguir alguém. Eles fizeram isso por causa de comentários online dos quais discordavam. Ou considerado ofensivo.
Os liberais se ofenderam com mais frequência. Vinte e oito por cento disseram que abandonaram amigos por causa da política. Os conservadores estavam com dezesseis por cento. Os moderados ficaram com quatorze por cento.
Existe uma onda maior de desamizade este ano do que em 2012 ou 2008? As campanhas de Trump e Clinton despertam sentimentos cruéis. As apostas parecem maiores. Mas não há como saber com certeza.
Desfazer amizade é difícil de rastrear em tempo real. Acontece silenciosamente. Às vezes, a pessoa que está sendo abandonada nem sabe imediatamente. O próprio Facebook admite desconhecimento sobre o assunto.
Andy Stone, oficial de comunicações políticas do Facebook, respondeu diretamente às perguntas.
“Infelizmente, não temos os dados que você procura. No entanto, posso dizer que entre 1º de janeiro e 1º de outubro deste ano, 109 milhões de pessoas no Facebook nos EUA geraram 5,3 bilhões de curtidas, postagens, comentários e compartilhamentos relacionados à eleição.”
O volume é enorme. O envolvimento é sem precedentes. Mas o custo pessoal? Isso está acontecendo um clique de cada vez.
A psicologia da falta de amizade durante crises políticas
“Realmente não sabemos a resposta”, admite Jenny Stromer-Galley. Ela é professora associada da Escola de Estudos da Informação da Syracuse University. Ela estuda como as pessoas usam as mídias sociais durante as campanhas. O que ela quer dizer é simples. Temos mais dados qualitativos do que quantitativos. Nós sabemos por que ressentimentos acontecem. Só nos faltam os números exatos para medir a escala.
Pesquisas anteriores mostram um padrão claro. As pessoas consomem conteúdo online que reforça aquilo em que já acreditam. Eles se juntam a comunidades que concordam com eles. Isso os torna estridentes. Também os torna vulneráveis. A raiva aumenta quando alguém critica seu candidato.
“Quando você tem fortes apoiadores de Clinton… sendo exposto a pessoas que odeiam Clinton, isso pode gerar ansiedade”, diz Stromer-Galley.
A polarização piora. Começamos a tratar o outro lado como bandidos. Deixamos de vê-los como pessoas com opiniões diferentes.
Desfazendo Tendências e Polarização Política
Um estudo de 2014 realizado por Nicholas John, professor de comunicação da Universidade Hebraica, analisou usuários judeus israelenses do Facebook. O estudo centrou-se nas taxas de falta de amizade durante um conflito armado em Gaza naquele verão. Os resultados foram nítidos. Um em cada seis usuários deixou de ser amigo ou deixou de seguir alguém durante esse período. Um em cada doze cortou até três antigos amigos.
Os israelenses mais jovens eram mais propensos a encerrar amizades no Facebook. Os usuários mais velhos eram menos propensos a fazê-lo. As inclinações políticas também importavam. Quanto mais à esquerda ou à direita um usuário estava, mais ele deixava amigos.
Aqui está a parte surpreendente. O impacto real do conflito não impulsionou estas decisões. Os usuários do Facebook no sul de Israel enfrentaram a maior ameaça de lançamento de foguetes. Eles não eram mais propensos a deixar de ser amigos do que usuários em partes mais seguras do país.
“Os conflitos não têm muito a ver com o impacto real dos acontecimentos sobre uma pessoa.”
Um fator que reduz as taxas de desamizade é que o país já estava polarizado. Um estudo da Pew de agosto de 2016 destacou essa divisão. Apenas um quarto dos apoiantes de Trump tem amigos próximos que apoiam Clinton. Apenas 18% dos apoiantes de Clinton estão próximos das pessoas que votam em Trump.
Trinta e um por cento dos apoiantes de Trump não têm amigos próximos no lado oposto. Esse número salta para 47% para os apoiadores de Clinton. O tecido social está se rasgando.
O custo emocional da rejeição digital
Para aqueles que são abandonados, o impacto emocional varia. Depende das circunstâncias. Um estudo em Computers in Human Behavior explorou isso. Os pesquisadores descobriram algo interessante sobre a indiferença.
As pessoas passaram mais tempo pensando no desprezo. Eles sentiram mais emoções negativas. Isso aconteceu quando eles acreditaram que a rejeição era “relacionada ao Facebook”. Não teve nada a ver com um incidente do mundo real. A rejeição digital dói de maneira diferente. Isso deixa você se perguntando se foi pessoal ou apenas ruído de plataforma.
A linha entre a raiva online e a realidade offline está se confundindo. Tratamos os espaços digitais como extensões das nossas identidades políticas. Quando essas identidades são desafiadas, cortamos laços. Não por causa do que aconteceu na rua. Mas por causa do que aconteceu no feed.
Isso importa? A ansiedade é real. A polarização é exacerbada. Ficamos com menos amigos que discordam de nós. E mais ansiedade sobre aqueles que o fazem.
